Suponho que não haja ninguém que use um computador pessoal que não saiba o que é “Windows” – o interface gráfico da Microsoft para o seu sistema operacional DOS. Mesmo quem trabalhe com o sistema operacional concorrente, o “Mac”, da Apple, conhece, pelo menos de nome, o “Windows”.

E, se eu perguntar se sabe o que significa Windows, vão se rir, pois nos nossos dias, mesmo quem não saiba inglês sabe que Windows significa “janela”. O interface gráfico da Microsoft chama-se Windows porque abre uma janela no ecrã do nosso monitor, para cada tarefa que o computador executa.

Quando se fala em janela em português, window em inglês, fenêtre em francês, ventana em espanhol, o primeiro pensamento que nos ocorre é o vidro, por onde passa a luz, e através do qual nós vemos o que está do outro lado.

Pois não é. A janela e todos os seus equivalentes nas outras línguas, não são o vidro, mas sim o buraco coberto por esse vidro. Antigamente não havia vidro, e a janela era apenas um buraco, no tecto, ou na parede para entrar a luz. E por onde entrava a luz, entrava também o vento.

(estou a lembrar-me de uma noite passada em Trás-os-Montes. Cheguei de noite e não havia luz na casa, nem sequer uma candeia. Despi-me às escuras, entrei na cama e cobri-me com o grosso cobertor de “papa”. Breve comecei a sentir um frio de morrer. Não era inverno. Estávamos no princípio da Primavera. Mas estava mesmo muito frio. Dentro de casa, como era possível? Levantei-me a tremer. Às apalpadelas localizei um armário, dentro do qual achei mais quatro cobertores igualmente grossos. Levei-os todos para a cama. Só assim consegui adormecer. Quando acordei de manhã, vi a luz que entrava por um buraco redondo na parede… sem vidro. Era a janela!)

Em latim bárbaro uma porta (uma abertura para se entrar numa casa) dizia-se janua, e uma entrada mais pequena –  januella. Daí derivou a nossa “janela”. Para quê abrir um buraco na parede, uma “janela” se não havia com que a tapar? Fácil. Era necessário que entrasse ar? E luz? Era para isso o buraco!

Em latim havia outra palavra para “abertura”fenestra. Pensemos na nossa palavra “fresta”, outra designação para uma abertura comprida e estreita. Foi essa que os romanos deixaram na Gália – a “fenêtre” da língua francesa. E com pouca corrupção o “fenster” da alemão e das outras línguas germânicas.

Estavamos a falar do “Windows”? Pois estavamos, o vocábulo inglês tem uma origem semelhante. Aquele buraco redondo, que me gelou a noite em Trás-os-Montes, era para os antigos escandinavos o “olho do vento” – vindauga. Daí derivou “window”

O vento deixou-nos outras palavras bem conhecidas.

Já vimos que janela, em espanhol, é ventana. Nas nossas aldeias dizia-se “De Espanha, nem bom vento nem bom casamento”. Para tratar certas maleitas, as nossas avós usavam muito “copos de vento” (ventosas), provocando o afluxo do sangue àquele local.

Se o computador aquece muito, o técnico talvez tenha que substituir o ventilador. Se formos nós a sentir o calor, temos que procurar uma ventoinha.

Primo do “Windows” é o “Windmill” – moinho de vento, que também pode servir para produzir electricidade.

E finalmente, quem se lembra ainda de um dos mais famosos filmes clássicos de todo os tempos – “Gone with the Wind” , com Clark Gable, Vivien Leigh e Olivia de Havilland? Em português “E Tudo o Vento Levou”.

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