Onde está o rato?

Já alguma vez sentiram ratos debaixo da pele? Não, pois não! Quem é que pode ter ratos, debaixo da pele? Debaixo da pele temos músculos.

Nem ratos, nem mexilhões. Mexilhões também não.

Em latim rato dizia-se mus.

De mus chegou-nos o inglês mouse (rato), termo com que estamos todos familiarizados, por via do mouse/rato do computador.

E no diminutivo, um rato pequeno, era musculus.

Aos antigos terá parecido que os músculos salientes do corpo humano, nos braços e nas pernas, tinham a forma e os movimentos de pequenos ratinhos. Por isso criaram a palavra músculo, na anatomia humana.

Em francês e inglês ficou muscle (com pronúncias diferentes).

E a que propósito vem aqui o mexilhão?

É que a etimologia é a mesma. Provavelmente a carne do pequeno molusco, debaixo da concha, terá dado a ideia de um pequeno músculo. Em inglês é mussel e em francês moule. De onde, quase irreconhecível, o nosso mexil>mexilhão, que é quem mais sofre quando o mar está bravo, segundo a sabedoria popular, num aviso para o Zé Povinho.

Não fica por aqui a contribuição do rato para a nossa fala.

Conhecem o almíscar?, uma substância de origem animal, proveniente de uma bolsa situada perto do umbigo do almiscareiro, uma espécie de cabrito sem cornos, que habita os vales e as serras do Himalaia, do Tibete e da Sibéria. Com esta explicação é natural que não conheçam. Mas nas perfumarias, por exemplo nos aftershave (loções para depois de barbear), encontramos a designação de musk, um perfume feito à base do almíscar, nome que nos veio da língua árabe, com a mesma origem –al musk. A etimologia aqui é indireta. Veio do sânscrito muska, que significava testículo, novamente porque a forma desta glândula masculina lembrará (talvez, vamos lá!), um rato – mus. Mas já ouvi dizer que a ingestão do mexilhão favorece a fertilidade. Terá ligação?

A glândula, pela qual o tal cabrito segrega o almíscar, pareceu aos persas um testículo. Então pegaram no nome do testículo em sânscrito, e fizeram mushk para o perfume.

Já chega de palavras de origem esquisita? Ficamos por aqui?

Antes, porém, vamos tomar um cálice do delicioso vinho Moscatel de Setúbal.

Quando eu era pequeno, pensava que a uva moscatel tinha que ver com as moscas que pousavam nela, por ser doce.

Mas não tem que ver, não senhor. Nas outras línguas é muscat ou muskat. Tem que ver com a noz moscada (almiscarada), que em inglês se chama nutmeg. Este meg vem do latim muscus, novamente relacionado com o ratinho… Mas através do musk/almíscar, por causa do perfume da noz e da uva…

Muscat, ou Mascate em português, é a capital do sultanato de Oman, e já foi possessão portuguesa. Mas aí já não sei se há ligação.

Entretanto, se lhes perguntarem o que tem que ver o rato do computador, com os vossos bíceps e com o vinho moscatel, já não podem dizer que não sabem.

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