Arquivo de Agosto, 2009

Etiópia ou Abissínia?

Vou confessar-vos uma coisa: este blogue está a dar-me muito mais prazer do que eu pensava, quando o iniciei. O número de visitantes cresce de semana para semana, e muitos deles têm a gentileza de me escrever, fazendo comentários ou perguntas, e até corrigindo coisas em que eu errei, por falta de informação ou por informação errada. Assim, além de aprender sempre mais qualquer coisa, também fico a conhecer muitas pessoas interessantes que, de outro modo, não conheceria.

Obrigado a todos.

Infelizmente o meu tempo é escasso, para escrever com a regularidade que eu gostaria de manter. Em parte, isso sucede por causa do meu trabalho. Mas também é devido ao meu feitio de querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Uma má desculpa.

Fiz hoje, uma vez mais, uma revisão aos meus objetivos e prioridades. Uma das decisões foi começar a deitar fora apontamentos e recortes, que guardei ao longo dos anos, para um dia escrever e cheguei à conclusão de que mesmo que eu viva até aos 120 anos, que é o máximo permitido e pouco provável, só me restam, a contar do próximo dia 5 de Outubro, 44 anos para realizar uma pequena parte do que tinha planeado

E puxei para cima da lista um compromisso de escrever todas as semanas uma ou mais histórias, das que tinha colecionado, mesmo que seja pequenina

Esta semana está na baila, aqui em Israel, o problema de integração dos judeus da Etiópia. Muitos deles têm chegado, por esforço próprio, a profissões e postos elevados. Mas muitos mais têm ainda muita dificuldade em se integrar. E por estes dias sente-se isso mais, quando se aproxima a reabertura das aulas.

Lembro-me que, quando eu era novo, o meu amigo Salomão Shmulevitz, que começou a sua carreira de jornalista no Diário de Notícias, escreveu um livro com o título de «O que é a Abissínia?».

O Salomão Shmulevitz veio muito novo para a Terra de Israel, “hebraisou” o nome para Shelomó Shamgar, e tornou-se um dos mais brilhantes jornalistas deste país. Infelizmente uma doença má levou há cerca de 12 anos.

Foi o Shelomó Shamgar quem fundou a Liga de Amizade Israel-Portugal e foi seu presidente até aos seus últimos dias. E fui eu que tive que ocupar esse honroso cargo,  durante 11 anos, por meus pecados, porque nunca lhe cheguei aos calcanhares.

Mas estávamos a conversar sobre a Abissínia, que hoje se chama Etiópia.

Ponhamos os pontos nos ii!

No tempo em que eu estudei chamava-se Abissínia a um país muito mais pequeno, situado, mais ao menos, no norte do que é hoje a Etiópia.

Os seus habitantes eram semitas e semita é a língua amharica, que eles ainda hoje falam. Nas línguas semíticas, no árabe e no hebraico, o país chamava-se Habash, E de Habash nos chegou Abissínia. Era a Terra do Preste João, o lendário padre cristão, que os exploradores portugueses tanto se esforçaram por encontrar na Abissínia.

Mais tarde o reino da Abissínia foi muito alargado, juntando-se-lhe outros povos negros seus vizinhos. E então passou a chamar-se Etiópia.  Aithiôps, “terra da gente de cara queimada” era o nome que os gregos davam a diversos terras africanas, desde o Vale do Nilo, até ao Corno de África.

No Novo Testamento, que foi escrito na sua maior parte em grego, a palavra aparece a designar de uma forma geral, diversos povos africanos. A palavra estava ali, à mão de semear, e assim foi dada ao novo país, que incluía a antiga Abissínia.

E já agora, como curiosidade, a explicação de alguns termos, de que todos ouvimos falar.

Como vimos, a língua da Abissínia é semítica.

Como se chama a capital da Etiópia? Adis Abeba. Adis significa nova. Conhecemo-la, por exemplo, no nome de Cartago, na língua fenícia: Kart-Hadasht, a «Nova Cidade”, que os fenícios fundaram no Norte de África.

Abeba – é o mesmo que Aviv, em hebraico, que significa tanto espiga, como primavera, a época do ano em que se ceifam as espigas. Tel Aviv – significa “Colina da Primavera”. A cidade de Telavive (assim se escreve em português correto) não fica numa colina, mas isso é outra história, que ficará talvez para outro dia.

Temos pois que Adis Abeba – é a Nova Primavera.

Lembram-se do imperador deposto – Hailé Selassieh? Pois Selassie (em hebraico chelishiah) significa Trindade. E Hailé é santo. Portanto, o nome do imperador era Santíssima Trindade.

Mengistu Haile Mariam, que foi presidente da República Democrática Popular da Etiópia, também tem Hailé (santo) no seu nome. E Mariam era, como sabemos, o nome aramaico da Virgem Maria (Miriam em hebraico). Portanto o presidente comunista da Etiópia era Mengistu de Santa Maria.

Desejo a todos uma excelente semana.

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