Arquivo de Dezembro, 2007

Proletários de todo o Mundo…

Tanto como me é grato constatar o número bastante razoável de visitantes, que honram este blogue com a sua presença, (vejam o contador aqui à vossa direita) me preocupa o facto de alguns deles insistirem em me considerar uma “autoridade” em etimologia.

Nunca será demais insistir que esta não é a minha especialidade. Posto que palavras são a ferramenta com que trabalho, tenho uma natural inclinação para aprender a sua história.  É tudo!  Além de que tenho gosto em partilhar convosco o que vou aprendendo, e aprendo mais com os vossos amáveis comentários, que muito agradeço.

Um dos aspectos aliciantes deste interesse comum é o facto de que muitas vezes lidamos com uma palavra quase todos os dias, aceitamo-la como facto consumado, e nem sequer reparamos na inesperada origem que está ali mesmo perante os nossos olhos.   Até que ela nos dá um sinal de vida, acena para nós e diz: “Olá, estou aqui!”

A palavra de que me quero ocupar hoje chegou à nossa língua no século XIX, pela pena dos escritores, como Eça de Queiroz, por exemplo: “Jesus foi um proletário, um mendigo sem vinha ou leira, sem amor nenhum terrestre, que errava pelos campos da Galileia…”   (Correspondência de Fradique Mendes).

Entrou no uso vulgar depois de que Marx e Engels publicaram o célebre «Manifesto Comunista”, em 21 de Fevereiro de 1848.  “Proletários de todo o Mundo  uni-vos”.  Até em russo, o vocábulo é quase o mesmo: Пролетарии каждого, я объединил вас!”.  “Proletarii”

No dicionário é sinónimo de “trabalhador”, e quantos de nós nos demos antes ao trabalho de ler a continuação do verbete?

Confesso que, até ontem, ao ler uma notícia de um jornal em hebraico, que até não tinha nada que ver com o manifesto, nunca tinha reparado no componente que salta mesmo à vista em proletário – prole!

E prole, diz o mesmo dicionário, é descendência, geração.  

Prole, por sua vez, também tem a sua história.  Deriva da raiz “-ol”, que significava nutrir, e que nos deixou outros derivados, como adolescente e prolífero, por exemplo. Quem diria?

A nossa prole são, pois, os filhos e os netos que temos.  E que tem que ver os filhos com os trabalhadores?

Pois aí é que vem a parte mais interessante da história.

Na antiga Roma, os cidadãos importantes eram aqueles que se salientavam nas letras, na filosofia, na política, mas sobretudo na guerra: os soldados das legiões romanas.

E a gente das classes mais baixas, para que servia? Ah, pois servia, sim senhor, foi-lhes reconhecido um valor: gerar filhos, para aumentar a população, substituir os soldados que morriam nas campanhas, e fornecer novos legionários.

O seu contributo para o Estado romano era a sua prole. Chamavam-lhes, por isso, os prõletãrius.

Os franceses, salvo erro, criaram o proletariado, como classe de trabalho, para os distinguir dos que arrecadavam o dinheiro, produto desse trabalho.

Por isso, Marx e Engels apelaram para a união dos “proletários de todo o Mundo”.

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Veêm aí… os Natais!

Aproxima-se o Natal e o início do Ano Novo civil, e quero aproveitar o ensejo para agradecer a fidelidade dos visitantes habituais, que habitualmente me brindam com seus comentários, e para desejar a todos 

NATAL ALEGRE E FELIZ ANO NOVO

Hoje não vou escrever sobre História das Palavras, mas sim sobre a história das datas destas duas celebrações da Cristandade.

Para muitos essas datas não apresentam qualquer dúvida: o Natal é em 25 de Dezembro e o Ano Novo começa em 1 de Janeiro.

Pois bem, nem sempre foi assim, e, mesmo hoje, não é sempre assim para todos os Cristãos.

No princípio do Cristianismo, a data do nascimento de Jesus Cristo, que é afinal o que o Natal comemora, era considerada como sendo 6 de Janeiro, o dia em que agora se comemora o Dia dos Reis Magos.

Quando o Império Romano se converteu ao Cristianismo, houve uma decisão da Igreja Romana para antecipar a data do nascimento para 25 de Dezembro.

Porquê?  Pois há várias explicações, e não sei qual será a mais correcta.

Uma diz que a razão foi para que coincidisse com o solstício do Inverno, que ocorre em 25 de Dezembro.  Outra diz que foi porque em 25 de Dezembro se celebravam em Roma  festas pagãs, e poderia haver tendência para continuar a comemoração dessas festas.   Substituindo-as com o Natal, tornava-se mais fácil eliminar os costumes pagãos.

Uns dizem que o Natal veio substituir as Saturnianas, ou Bacanais, em honra do deus Saturno, que, na realidade, decorriam durante oito dias, e terminavam uns dias antes de 25 de Dezembro;  outros dizem que era o dia do Sol Invicto, em honra do deus do Sol.

De qualquer modo, Jesus passou a ter o seu aniversário em 25 de Dezembro, e, oito dias depois, em 1 de Janeiro, era o dia da Circuncisão do Senhor, seguindo a lei judaica da circuncisão, no oitavo dia, depois do nascimento.

Os cristãos ortodoxos gregos, que aderiram ao Cristianismo antes dos Romanos, como não tinham essas festas pagãs dos Romanos, em 25 de Dezembro, não viram razão para mudar o seu Natal, e continuam ainda hoje a comemora-lo em 6 de Janeiro.

Por sua vez, os Cristãos Arménios não aderiram ao calendário gregoriano.  Eles continuam a guiar-se pelo antigo calendário gregoriano, ou seja 6 de Janeiro, para eles, ocorre 13 dias mais tarde.  Eles comemoram o Natal, quando no calendário comum são 19 de Janeiro.

Assim, aqui em Jerusalém, os cristãos celebram três vezes o Natal, com as tradicionais procissões.    Em 25 de Dezembro vem o Patriarca latino de Jerusalém visitar o presépio em Belém, o Patriarca grego ortodoxo vem em 6 de Janeiro, e em 19 de Janeiro vem o Patriarca arménio.J

á estou a ver os meninos portugueses e brasileiros a perguntar se o Pai Natal também vem três vezes?   A tradição dos presentes de Natal, e do Pai Natal, ou antes São Nicolau, é essencialmente católica.   Pelo menos os Arménios não a seguem.   Mas se todos a seguissem, cada menino receberia apenas os presentes do dia em que os seus pais celebram o Natal, não é assim?

Renovo pois os meus desejos de boas consoadas, com bom bacalhau, peru, filhós, vinho tinto, castanhas, e sobretudo muita alegria e muitos bons desejos para 2008. 

Mudando de assunto, nos últimos dois dias estive ocupado, não com o português, mas com outra língua: o HTML (HyperText Markup Language), que, como muitos saberão, é um código de linguagem obrigatório para escrever páginas na Internet.  

Apesar da minha fraca habilidade, e das minhas duas mãos esquerdas, sou eu sozinho que construo as minhas outras duas páginas na Internet: uma em inglês, outra em português, nas quais eu conto mais algumas histórias, sobre temas que me atraem

Não sei se repararam nos apontadores para elas, que coloquei desde o início, aqui no lado direito deste blogue, e se alguma vez os visitaram.  

Nos últimos dois dias estive ocupado em tentativas para mudar a fachada da página em português.  Fiz e refiz, já não sei quantas vezes, pois a minha sabedoria da sintaxe do HTML tende para zero.   E além disso sou pouco habilidoso.

Uma vez que os leitores deste blogue costumam ser mais generosos com os seus comentários, não se poupando a dar-me alguns conselhos, que me são úteis e de proveito, queria pedir-vos que, se puderem, dêem também uma volta por lá, clicando aqui.  E depois digam-me que tal acham a “arquitectura” e os textos. E, aqueles de vós que também mantêm blogues, sempre mais interessantes que o meu, se acharem que vale a pena, e quiserem recomendar os meus escritos aos vossos visitantes e amigos, eu terei com certeza muito gosto nisso.

Bem hajam.

Somos todos da Lourinhã

O nosso visitante Dino, que, se me não engano. nos escreve da Holanda, pergunta-me “o porquê da expressão: ‘tu deves ser da Lourinhã’…”

Verdade? Verdadinha? Quem diz a verdade não deve por isso de ser acusado:   É a primeira vez que tomo conhecimento com tal expressão.

Conheci, há muitos anos uma simpática senhora da Lourinhã, a Dona Francelina.   E mais não sabia dessa terra.

Mas, como tenho obrigação de tentar saber, fui averiguar, e aprendi que, assim como em cada região do país há costume de considerar os habitantes de determinada terra, como simplórios, no sul é costume de apor essa qualidade, umas vezes aos da Lourinhã, outras aos de Évora.

Porquê exactamente não sei.

Mas talvez seja por uma história que se conta de uma senhora alemã que, há décadas passadas, foi viver para a Lourinhã, e trouxe consigo uma cadela da raça “pastor alemão”.

Como a raça não era conhecida em Portugal, os habitantes da Lourinhã tomaram-na por uma loba e mataram-na, expondo-o no pelourinho da vila.

Quando a senhora alemã se juntou aos restantes vizinhos para ver a loba morta, foi lá encontrar o cadáver da sua cadela.  Por isso também chamaram à Lourinhã, “Vila da Loba”.

Terá alguma relação? Não terá?

 Quem for da Lourinhã, ou souber mais, que venha à liça e ensine aos papalvos das outras terras, que somos nós.

Explosivos para a Paz

Não vos parece estranho que o inventor de um potente explosivo – a “dinamite” – tenha deixado uma fundação para premiar as pessoas que em cada ano mais contribuíram para o bem-estar da humanidade?

Pois foi isso que sucedeu exactamente com Alfred Bernard Nobel (1893-1896), o engenheiro sueco que, entre outras invenções importantes, nos legou um método eficiente de garantir o uso seguro da nitroglicerina.

O manuseamento da nitroglicerina era muito perigoso, pois explodia facilmente com qualquer movimento.  Nobel realizou muitas experiências, até conseguir um produto seguro para uso na construção civil e na explosão de rochas, abertura de túneis, canais, etc.  Só fins pacíficos, afinal.

Mas a dinamite serve também para a construção de engenhos terroristas, cujos “fabricantes”, por vezes, também são vítimas de “acidentes de trabalho”.

Tal como a energia atómica, que o presidente Mahmoud Ahmedinejad continua a afirmar que está a desenvolver no Irão, apenas para fins pacíficos.   Ao mesmo tempo, assegura que vai destruir totalmente o Estado de Israel. Mas não com bombas nucleares, claro; será com uma vassoura?

Alfred Nobel chamou à sua invenção DINAMITE, de dynamus, que em grego significa força mais o sufixo sueco it.  Da mesma raiz temos o dínamo do automóvel, e da bicicleta, e certos políticos dinâmicos, que ainda por aí andam.

Nobel deixou-nos também outra invenção importante: a borracha sintética.

Sempre muito ocupado com as suas experiências, Nobel teve muito pouco tempo para dedicar à sua vida pessoal.  Tinha apenas uma grande amiga, Bertha Kinsky, que lhe transmitiu os seus ideais pacifistas.

Imaginem agora a surpresa do grande cientista, quando recebeu um dia a notícia (errada, claro!) da sua morte, e verificou que estava a ser lembrado apenas pelos malefícios da sua invenção.

Muito chocado com esse facto, decidiu criar em 1900 uma fundação com o seu nome, para atribuir anualmente cinco prémios em áreas distintas: Química, Física, Medicina, Literatura (atribuídos por especialistas suecos) e Paz Mundial (atribuído por uma comissão do parlamento norueguês).  Em 1969 criou-se um novo prémio na área da Economia (financiado pelo Banco da Suécia), o Prémio de Ciências Económicas em memória de Alfred Nobel.