Arquivo de Setembro, 2007

Idiotas e privados

Passei aproximadamente uma semana a perseguir um “verme”, que se me introduziu no computador, e no final ficou só o que me apareceu ser um problema: um programa que se lançava sozinho, sem ninguém o encomendar.

Só hoje cheguei à conclusão de que o programa que eu teimava em impedir que corresse, era absolutamente necessário para o funcionamento de outro programa.

Resolvido o problema, lembrei-me do provérbio bastante conhecido em todo o mundo: «Deus ajuda sempre as crianças e os idiotas».

Idiota, em qualquer matéria, é uma pessoa comum, que não tem conhecimentos especializados nessa matéria. Por isso me incluo na categoria.

Senão, vejamos: originalmente, na língua grega, ídios, significava “particular, privado”, que não exercia nenhum cargo oficial.  Por extensão veio a designar uma pessoa comum, que não se distingue de todas as outras.

Em meados do século XV, o frade agostinho inglês John Capgrave (1393 – 1464), refereia-se aos apóstolos de Jesus como “twelve idiots”, ou sejam as doze pessoas comuns, que seguiram Jesus.  Já vêem que não tinha naquela altura o sentido derrogatório que hoje tem, de indivíduo rústico, pouco instruído ou pouco inteligente. 

  Esse sentido chegou-nos através do francês medieval idiote, que, no século XIII chegou também à língua inglesa, como idiot.

Na língua latina havia outra palavra sinónima do grego ídios: dizia-se privatus, como substantivo, designativo do que pertence a si próprio, não desempenha nenhum cargo oficial.    É o particípio passado do verbo privare, de onde nos chegou o nosso verbo privar, no sentido de impedir, tirar a alguém o uso de qualquer coisa.

Assim do grego ídios chegou-nos o “idiota”, do latim privare chegou o privar alguém de um uso ou de um direito, e de privatus o “privado”, para se escrever à porta de um gabinete, onde não queremos que entregue ninguém sem autorização especial.