Hocus Pocus

O amigo brasileiro Washington Silva Guedes perguntou-me sobre as origens da expressão “Hocus Pocus”, que teve artes de atrair a atenção do seu filhinho de sete anos.

Eu conhecia a expressão, e até o seu significado através do seu uso (minha descansada Mãe usava-a muito amiúde) mas tive que responder honestamente ao estimado visitante deste blogue que não sabia a sua origem.

Os juristas, porém, dizem que a ignorância não é desculpa.   E o meu avô Jacinto, de Camarate, com sua sabedoria popular, acrescentava que “o saber não ocupa lugar”.

Não tive outro remédio senão tentar esclarecer-me um pouco melhor.

“Hocus Pocus”  não é uma expressão portuguesa, mas sim universal.

É utilizada em muitas línguas pelos artistas, profissionais ou amadores, que executam truques de magia, e têm necessidade de distrair a atenção do público, para que não reparem no verdadeiro truque que ele está fazendo.

Nada melhor do que uma frase exótica, que as pessoas tentam compreender e não compreendem, que não significa nada.

Já nos tempos do Ali Babá aprendemos a dizer “Abre-te, Sésamo”.

Uma palavra muito comum, alegadamente com origem na Cabala, é ABRACADABRA.    Esta palavra deveria ser escrita em forma de triângulo para poder ser lida da mesma forma em todas as direcções.

 A B R A C A D A B R A
A B R A C A D A B R
A B R A C A D A B
A B R A C A D A
A B R A C A D
A B R A C A
A B R A C
A B R A
A B R
A B
A
 

“Hocus Pocus” – com sua aparência de latim – servia o mesmo propósito.

Em tempos passados, os fazedores de magia chegaram a usar uma frase mais elaborada, que soava latim, mas nada significava: “hax pax max Deus adimax”.     Estão a ver?

Há quem diga que havia um padre, de poucas letras em latim, que na altura da consagração da hóstia, em vez de dizer “hoc est corpus meum”   “Este é o meu corpo”, dizia rapidamente “hocus pocus meum”.    Mas isto deve ser, provavelmente, da autoria de alguém que quis troçar da eucaristia. (reconhecimento, acção de graças).

Por extensão, a expressão “hocus pocus”  é usada, tanto na linguagen comum, como na literária, para explicar uma acção pouco séria, destinada a enganar o próximo.

Diz-se, por exemplo, de um político que finge actuar para o bem do público, mas, na realidade, tudo quanto ele faz é “hocus pocus”. 

Ou para responder a um pedido exagerado do filho: “Pensas que é só eu dizer hocus pocus  e o dinheiro aparece?”

 Isto, como disse inicialmente, é universal.   Minha Mãe trazia a expressão da sua língua natal, o húngaro. Encontrei um artigo bem escrito sobre este tema, num blogue que não conhecia, e recomendo a sua leitura:  http://www.worldwidewords.org/weirdwords/ww-hoc1.htm

P.S. – Com certeza já vos sucedeu receberem um email de um amigo, que vos avisa sobre o aparecimento de um novo virus, ou de um perigo iminente de outra origem.   Quase sempre esse amigo recebeu esse aviso em cadeia, e apressa-se a avisar-nos com toda a boa vontade.

Se formos procurar num site de confiança (o da Symantec/Norton, por exemplo) encontramos lá a informação de que esse perigo não existe, e que se trata de um hoax, palavra inglesa, que significa patranha. Pois a origem de hoax  é exactamente a mesma que hocus pocus.

Mas, nunca fiando, vale sempre a pena verificar, pois pode ser mesmo um aviso verdadeiro.

6 Responses to “Hocus Pocus”


  1. 1 al cardoso 3 Maio 2007 às 8:36 am

    Nem sei porque mas simpatizo mais com “abracadabra”

    Shalom

  2. 4 Ralf 4 Maio 2007 às 7:33 pm

    Prezado Inácio e Silva Guedes,

    também na minha familia -paternal Prager, oriunda de Praga/Checoslováquia- a expressão “Hocus pocus” foi utilizado para descrever uma idiotia de tipo esotérica.
    Além de ser utilizada como dica magica das crianças: Hocus pocus fidibus.
    Parece-me que “Hocus pocus” vem mesmo do tempo (e vai voltar ?) quando os padres falava o latim. HOC EST CORPUS MEUM, QUOD PRO VOBIS TRADETUR
    O padre faz um milagre !? Faz de pão um corpo !
    Não sei porque foi adicionado “fidibus”.
    Um fidibus foi (é)um pauzinho resinoso para acender cachimbos.
    Ralf

  3. 5 Eduardo Figueiredo 16 Maio 2007 às 3:39 am

    Eu cá gosto do “hax pax max Deus adimax”,
    visto que entendo o arrevesado latim:
    haja paz máxima e Deus dá mais.
    Vêm agora que o “populorum latinorum” tem sempre “razorum”?…
    EMMF

  4. 6 claudio monjope 8 Outubro 2007 às 8:11 pm

    tá mais de que bom tamanho
    até confundiu o colega Al Cardoso
    valeu


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