Bons figos e maus fígados

O género ficus, na botânica, designa cerca de mil tipos de árvores e arbustos e plantas, com diferentes aspectos físicos e utilidades.O que nós melhor conhecemos será provavelmente o saboroso fruto da figueira – o “figo”.Outros termos se introduziram nas línguas latinas, com base no nome deste fruto. Por exemplo, a “figa”, que por sua vez também se aplica em diversas acepções. 

Esta de que vos quero falar hoje, talvez poucos tenham reparado nela. 

No antigo Egipto, e depois na Grécia, era costume alimentar os gansos com figos secos. Nalgumas épocas e civilizações, utilizavam-se os figos para alimentar outros animais, bem diferentes, como por exemplo, os porcos. 

Aos gansos, já no século IV antes de Cristo, reparem bem, há 2400 anos havia o costume de empanturrar aquelas aves tão elegantes, com exageradas quantidades de figos secos. 

E para quê? Para lhes aumentar exageradamente as vísceras glandulares que produzem o fel.  Têm os pobres bichos a pouca sorte do Homem ter descoberto, cedo na história, que essa glândula tinha uma contextura amanteigada, que depois de cozinhada, produz uma pasta (um paté) de sabor muito delicado. 

Hoje em dia há em muitos países, grupos de protecção aos animais, que chamam a atenção do público e das autoridades, para a crueldade dos métodos de alimentação usados pelos criadores dos gansos. Realmente, é horrível assistir-se ao espectáculo: introduzem uma espécie de funil pelo bico da ave, e empurram a comida à força, enquanto ela aguenta. 

Aqui em Israel já há uma lei que proíbe a alimentação forçada dos animais, mas os produtores exercem forte pressão, alegando os prejuízos económicos (para os seus negócios, claro) da interrupção da exportação de “foie gras”, nome recolhido da culinária francesa, número um na excelência do produto. 

“Foie gras” em francês; e em português vernáculo, para quem lhe repugna utilizar estrangeirismos, simplesmente fígado gordo. 

Os gansos foram alimentados com figos, por isso ficaram com o fígado gordo. Estão a ver a etimologia? Fígado, porque foi alimentado a figos. 

Em grego, a glândula chamava-se hepar, e daí nos veio no vocabulário médico, a hepatite. 

Mas os espanhóis chamam ao fruto higo – e ao órgão higado.Os italianos fico e fegato.E os portugueses figo e fígado. 

Há quem tenha bons fígados e outros que têm maus fígados. É verdade que, em Portugal, os fígados da vaca e do porco facilmente se transformam em boas iscas. Mas isso é outra conversa. Há iscas para caçar o peixe e há iscas de peixe, de bacalhau, de beringela, de qualquer produto gastronómico, que se corte às iscas. 

3 Responses to “Bons figos e maus fígados”


  1. 1 a. cardoso 5 Janeiro 2007 às 9:33 am

    Ha quem diga que eu tenho “mau figado” e nao e que recentemente descobri que sim, o meu nao absorve o ferro na sua totalidade, o que me obriga a constantes doacoes de sangue, o que fraco de bom grado pois sendo o meu sangue rico em ferro ate e util a muitas pessoas. O mal e que nao devo beber nenhuma qualidade de alcool, e vinho tinto nem pensar, coisa que sem abusar gostava de saborear.
    Mas e assim a vida.

    Shalom.

  2. 2 steinhardts 5 Janeiro 2007 às 12:24 pm

    Então coma figos!

    Inácio

  3. 3 a. cardoso 6 Janeiro 2007 às 8:13 am

    Acontece que aqui na America vem-se poucos e sao carissimos,
    Eu por sinal e fruta que adoro!

    Albino


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