“Desculpe, mas não sou de cá…”

Já vimos com que facilidade se geram lendas à volta da origem de palavras, cuja verdadeira história não se conhece ou não está comprovada.  Uma dessas palavras, cuja origem verdadeira se não conhece, é o nome da península do Yucatão, no México.  Há muitas versões para a origem do nome, que provavelmente seria afinal igual ou parecido ao que os indígenas davam à sua terra.

A lenda é que, quando os espanhóis lá chegaram, perguntaram aos nativos como se chamava aquela terra. Os nativos, que não os compreendiam, responderam simplesmente: “O que é que você quer?” o que na língua Maya seria: “Ma c’ubah than” .Assim afirma G.Baudot, no seu livro sobre o México, editado pela UNESCO. E daí Yucatan.  Outra história semelhante é a dos cangurus.

Os primeiros a mencionar o “kangooroo”, em inglês, foram o célebre capitão James Cook (então tenente) e o botânico Joseph Banks.

Ambos mencionaram, nos seus diários, o animal até então desconhecido, acrescentando que os nativos lhe chamavam “Kangooroo”. 

Muita boa gente tem levantado dúvidas sobre ser esse de facto o nome indígena do animal.

Até porque, na língua deles, “Kan Ghu Ru” significa simplesmente “não compreendo”.  Teriam respondido assim quando os estrangeiros lhes perguntaram o nome do animal.

 A verdade? Há quem diga que os aborígenes já chamavam “Gan Ghu Ru” ao canguru cinzento.  Uma expressão que entrou já há muito no vocabulário internacional é o “OK”.

O meu amigo Acácio Inácio insistia em pronunciar “Oh, capa!”.    E contava-se, no após guerra (1939 – 1945) que o ministro dos negócios estrangeiros russo, cansado de ouvir os seus colegas responderem “O key” em todas as votações na ONU, e pretendendo usualmente votar contra, começou a usar “no key”.. 

Há um ror de explicações para a origem desta suposta abreviatura. Uma que valerá tanto como as outras, é que, nos relatórios de combate, durante a segunda guerra mundial, usavam mencionar o número de soldados caídos em batalha, com a abreviatura nK, significando n killed. Quando o relatório dizia 0K, zero mortos, estava tudo bem. E já agora, mais uma que parece ter sido aceite por muitos etimologistas : snob.

Como se sabe, havia na Inglaterra escolas destinadas exclusivamente aos filhos dos nobres. Nos livros de registo dessas escolas havia uma coluna para se escrever o título de nobreza da família do aluno.Surgiu, porém, a necessidade de admitir nesses colégios filhos de gente rica, mesmo não sendo nobres.  Então, na coluna do título de nobreza, escreviam a abreviatura: “s.nob”, significando em latim “sine nobilitate”, sem título de nobreza.

Há uma outra explicação que, neste caso, parece ser ela a lenda.    No dicionário de inglês da Oxford figura a palavra “Snab”,  de origem escocesa, retirada de um documento de 1781, com o significado de sapateiro.   Os estudantes da Universidade de Cambridge usavam o termo “snob”,  nessa acepção, para designar um simplório, uma pessoa que não tinha estudado na universidade, um sapateiro.  E assim surgiu também o termo “nob”, para designar uma pessoa com educação superior.

Na inauguração da biblioteca pública de Manchester, em 1849, realizaram-se duas cerimónias: uma para a gente do povo, para os trabalhadores, e outra só para os “nobs”.  

De onde se pode concluir que os ingleses não são snobs (ou esnobes, como há quem escreva!), não são, não senhor… 

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2 Responses to ““Desculpe, mas não sou de cá…””


  1. 2 V. 1 Novembro 2012 às 1:09 am

    Vivo em Inglaterra há 9 meses e confirmo: Os ingleses não são snobs. São incultos e descontraídos, pelo menos, é assim que os vejo.


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