Nabo

No meu esclarecimento de ontem mencionei o facto de ser eu um “nabo nestas bloguices”.

Claro que não me referia ao simpático nabo, ou “cabeça de nabo”, planta crucífera (Brassica napus), cuja raiz se emprega como alimento. Nem a mais uns tantos objectos, específicos de determinadas profissões, a que também se chama “nabo”.

E há várias expressões típicas portuguesas, como:

– tirar os nabos da púcara; (indagar sorrateiramente)

– comprar nabos em saco, (comprar sem ver, como por exemplo, através da Internet) – etc.

E há ainda o “nabo”, alcunha ocasional de certa parte do corpo humano…

Não, eu referia-me à expressão que eu usei, no meu “poste” anterior: “ser um nabo”, ainda muito em uso, como se pode ver numa simples consulta no Google:

– não passa de um nabo – um nabo com pretensões a ser planeta

– “E se um nabo pode fazer…”

– é um nabo ao volante

Pois bem não creio que se saiba exactamente quando começou a ser utilizado o termo “nabo” nesta acepção.

A única indicação que encontrei, sim, foi no “Quem tem farelos”, do Gil Vicente que escreveu: “Dou-t’o demo essa cabeça, nam tem siso por um nabo”.

Portanto, já no século XVI, o nabo era considerado sinónimo de cabeça com pouco saber… como a minha.

Posto que estamos na mudança de estação, com sol entremeado com chuva, pelo menos aqui, faço-me eco do pedido dos agricultores: “Haja sol na eira e chuva no nabal”.

Isto de “blogs” também serve para fazer perguntas, não serve?

Vou aproveitar para ver se algum de vós me sabe desfazer uma dúvida.

Em hebraico há dois termos, cujos equivalentes em português, se existem, eu não conheço.

Um deles designa o dia em que cai a primeira chuva da época, que é sempre um dia de chuva torrencial, com as habituais inundações. Esse primeiro dia de chuva, chama-se aqui o “Yoré“.

Depois abranda, por algum tempo, deixando as estradas escorregadias e perigosas para as travagens bruscas. Até vir o “verão de São Martinho“, que aqui não tem designação especial, mas vai mais ao menos de 1 a 11 de Novembro, com seus dias de sol envergonhado.

Depois disso, recomeçam as chuvas, que aqui são abençoadas, pois se não chove na época própria, temos um ano de seca. Durante toda essa época os israelitas acompanham o nível das águas do Mar de Tiberíades, para ver se no resto do ano vão ter água nas torneiras… E o outro termo é o “Malcoche“, o dia em que cai a última grande chuvada da época, antes do sol da primavera.

Existem termos equivalentes em português? Onde estão os nossos agricultores? Obrigado.

1 Response to “Nabo”


  1. 1 a. cardoso 18 Outubro 2006 às 7:32 am

    Eu que nao gosto de corromper a nossa lingua, tambem tinha muitos preconceitos em escrever; “Post” sempre ou quase o escrevia ente parentesis, (sera que e assim que se escreve) ainda bem que o meu amigo nos elucidou.
    E que tal escrever: “Entrada” em lugar de “post”?

    Um abraco desde os “States”


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