Chá

Uma coisinha mais leve para hoje, se não se importam: uma conversa para a hora do chá
Linguisticamente, em relação a esta bebida, o mundo divide-se aparentemente em duas partes: as línguas em que o nome da planta tem a forma chá, ou semelhante, e aqueles em que tem a forma té, tea, ou semelhantes. E há as variantes mistas: “Tchai”, “Tai”; em russo chaleira diz-se “Tchainik”.
O nome científico é Thea sinensis ou Camellia theifera.
Entre as primeiras conheço apenas o português, o japonês, o russo e o árabe, mas pode ser que haja mais, que não sejam do meu conhecimento.
A verdade é que ambas as formas têm a mesma origem, na língua chinesa, o mesmo símbolo, cuja pronúncia varia apenas de dialecto para dialecto.
As muitas histórias e lendas sobre a “invenção do chá” dariam para escrever um livro,
A mais corrente – e também verosímil – é que o imperador chinês Chen Nung (cerca de 2740 a.C.) ordenou à população que, por uma questão de higiene, fervesse sempre a água, antes de a beber.
Quando um dia o próprio imperador cumpria essa determinação, debaixo de um arbusto selvagem, a brisa arrastou algumas folhas do mesmo, que foram cair dentro da água fervente. O imperador provou a água, gostou, e assim nasceu o Culto do Chá,
Foram os japoneses que criaram a encantadora e mística cerimónia da preparação do chá, a que tive o gosto de assistir, e provar, sem nunca ter ido ao império do Sol Nascente.
Foi na Galileia, em casa de uma senhora japonesa, casada com um israelita. Para que ela não tivesse demasiadas saudades da sua terra natal, o marido plantou um jardim em redor da casa, na mais pura tradição japonesa, com plantas aquáticas, nos carreiros de acesso. Também dentro da casa predomina o ambiente japonês, com a cerimónia diária do chá, de que participam os convidados. Além disso a senhora dedica-se a costurar por encomenda riquíssimos kimonos.

Tudo indica que foram os portugueses que trouxeram para a Europa a planta do chá e o seu uso, pois já na segunda metade do século XVI se faz referência ao chá em documentos escritos na nossa língua.
O “five o’clock tea” é hoje um símbolo indispensável da cultura social britânica.
E foi uma portuguesa, D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV e de Dona Luísa de Gusmão, que introduziu o chá na Inglaterra, quando casou com Carlos II, soberano daquele país.
E não só o chá, como o uso do garfo à mesa, a marmelada, os vinhos do Porto e da Madeira… e as tangerinas, outro fruto da China. Mas das tangerinas e das laranjas falarei noutra ocasião.
Lembro-me de ter lido uma vez, há muitos anos, quando era ainda mais jovem do que hoje, que Dona Catarina, quando chegou à corte britânica, entregou aos criados um pacotinho de chá, que trouxera consigo e pediu que lhe preparassem um chá. Eles nunca tinham visto tal coisa e perguntaram como se preparava aquilo. Dona Catarina explicou que era muito simples: “Ferve-se água e deita-se a água a ferver em cima das folhas.”
Daí a bocado trouxeram-lhe um prato com as folhas molhadas e quentes. A água tinham-na deitado fora… Quem não sabe…

Nessa altura também se chamou “chá” em Inglaterra. Mas cedo o comércio do chá foi desenvolvido pelos ingleses e pelos holandeses da “Companhia das Índias” e a pronúncia malaia foi absorvida pela língua inglesa, começando por se pronunciar “tai” e só depois “ti” (tea).

Actualmente, os “classificadores de chá encartados”, no porto de Londres, usam o mesmo sistema. De cada remessa de folhas que chegam à alfândega, eles tiram uma amostra, deitam-lhes água fervente de uma chaleira, que trazem consigo, e, depois de provar a bebida, decidem qual a sua classificação comercial no mercado.

Há também uma receita de bolo, “Maids of Honour”, a que em Inglaterra se atribuem hoje as mais diversas origens, e alguns estabelecimentos se assumem de possuir a única receita original, mas que, segundo consta, foi introduzido em Inglaterra pelas duas damas de honor de Dona Catarina de Bragança: as condessas de Penalva e de Pontével. Os mesmos bolos chamavam-se em Portugal, não sei se ainda se chamam, “londrinos” ou “pasteis de Londres”.

Outro aspecto que se relaciona com Dona Catarina de Bragança é o bairro Queens, em Nova Iorque.
Carlos II de Inglaterra, ao receber as terras da antiga New Amsterdam, deu à cidade o nome de New York, em honra de seu irmão o Duque de York, e aos dois principais bairros da cidade os de Kings e Queens, em honra dele próprio e de sua mulher, a rainha Dona Catarina.
Li há tempos uma história, que talvez os nossos amigos dos Estados Unidos me possam aclarar.
Ed Koch, quando foi Mayor de Nova Iorque, “revelou” ao presidente da Câmara de Lisboa (qual?) o que acima referi.
O chefe do Município português decidiu então promover a colocação em Queens de uma estátua da princesa portuguesa, cujo custo seria suportado pelo governo português e por donativos particulares.
A estátua chegou a ser encomendada ao escultor Audrey Flack, e uma réplica da mesma foi colocada em Lisboa, na Expo.
Mas, nos Estados Unidos, levantou-se uma polémica entre dois grupos rivais o “Friends of Queen Catherine” e o “Friends Against Queen Catherine”. Estes opunham-se à colocação da estátua no “Bairro da Rainha”, por ter sido uma portuguesa, um país que se dedicou durante muitos anos à escravatura.
Parece-me um argumento um pouco hipócrita. Qual foi o país colonialista que se não dedicou à escravatura?
Teria sido colocada a estátua em Queens?
As palavras são como as cerejas… e a história delas também.
Desta vez vou ter por certo muitos comentários para me responderem às muitas perguntas que aqui deixo em aberto.
Estou sempre a aprender!

3 Responses to “Chá”


  1. 1 Andreia 15 Maio 2007 às 9:22 pm

    oii voxes xao o maximo jah n tenhu negah nu trabalho d area d projecto matematica nem historia:))))))huffffaaaaa bigada bjx

  2. 2 maria 30 Setembro 2007 às 11:19 am

    parece que a princesa foi uma acérrima perseguidora de judeus e vendedora de escravos…


  1. 1 does antivert work effectively Trackback em 26 Agosto 2007 às 7:26 am

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