Eleições

Bom. Finalmente, vamos conversar hoje sobre a história de alguns termos relacionados com política e eleições.
Comecemos já com POLÍTICA. Política chegou-nos do grego antigo politéia, que foi o título original dado por Platão à sua obra famosa, que viria a ser traduzida para nós como “A República”.
Politéia (que derivou para o latim como “polítia“) era tudo quanto se relacionava com a “polis“, a cidade-estado. Politês era o cidadão. Politikós, o que se relacionava com a administração da cidade e do cidadão,
A nossa Polícia, o órgão da autoridade, cuja função é a de repressão ao crime e manutenção da ordem pública, tem exactamente a mesma origem.
Eleição, do latim electione é simplesmente o acto de escolher. Também em Roma, quando o seu regime foi democrático, se realizavam eleições. É um verbo composto de “legere“, escolher e do prefixo “ex“, fora, o que deu èligere, escolher, tirar para fora um de entre dois ou mais candidatos.
Estes, por sua vez, vestiam uma toga branca, sinal de pureza de intenções, e que também os distinguia para que os eleitores os conhecessem.
Candidum“, em latim, significava simplesmente “ser branco”. Por extensão, também brilhar. Com alguma imaginação podemos notar que o mesmo verbo deu origem ao adjectivo e nome próprio “Cândido” (como o herói de Voltaire), a nossa “candeia” que vai à frente para alumiar duas vezes. E até aquela aborrecida doença causada pelo fungo “Cândida” com suas manchas brancas. Os homens da toga branca eram os “candidatos“.
Portanto, temos os nossos “candidatos“, vestidos de togas brancas, a fazer a sua campanha eleitoral, de reunião em reunião, de círculo em círculo, na sua ambição de conquistar os nossos votos.
O prefixo “ambi-“ (dois) conhecemos nós de “ambos”, de “ambivalente”, etc.. Juntemos-lhe o verbo “ire” (isso mesmo “ir”) e temos “ambire“, ir de um lado para o outro. Na sua declinação nominal “ambitio” adquiriu o sentido de “andar de um lado para o outro a solicitar votos”. A ambição do candidato.

Uma importante parte da campanha eleitoral consiste em aparecer em lugares públicos, mercados, convenções, apertar as mãos dos eleitores, dizer-lhes uma palavra simpática, para atrair simpatia e votos.
E é importante conhecer cada um, ou pelo menos fingir que se conhece, dirigindo-se a cada um pelo seu nome. Mas quem é que tem memória para decorar os nomes de todos os cidadãos de Roma?
Para isso eram escolhidos escravos, especialmente treinados para aprenderem e se lembrarem do maior número de nomes. Eles caminhavam discretamente ao lado dos candidatos, e sussurravam-lhes ao ouvido o nome da pessoa por quem passavam. Assim evitavam o embaraço do esquecimento ao apertar-lhe a mão.
A esses escravos chamavam “nomenclator“, o que diz os nomes.
Daí derivaram as nossas “nomenclaturas“.

Acabam aqui, por hoje, as ambições políticas deste pacato “politês“.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s





%d bloggers like this: