Hoje em dia, vivemos num mundo digital. Temos relógios digitais, fotografias digitais, televisão digital… provavelmente já se pode ir a um café e beber uma bica digital.
A palavra “digital” chegou-nos do latim, onde significava “dedo”, aquilo que nós e muitos outros animais temos nas extremidades das mãos e dos pés. Como era fácil contar pelos dedos, a palavra “dígito” evoluiu para designar “algarismo”. Um número de telefone, em Portugal, tem agora, nove dígitos.
Antes de chegar ao latim, a palavra existiu na língua comum indo-europeia (de que derivou a maioria das línguas da Europa, além do sânscrito na Índia e suas ramificações), onde se dizia deik, e significava “apontar”. Com os dedos aponta-se.
Mas, da mesma palavra derivou o verbo “dizer” (originalmente “dizer” era apontar, mostrar).
Um sistema digital é um conjunto de dispositivos de processamento, armazenamento e transmissão de dados, usando valores discretos (descontínuos). Utilizam-se para isso sistemas de numeração binários, ou seja em que os únicos dígitos empregues são o “0″ e o “1″, com os valores de “sim” ou “não”, “aceso” ou “apagado”.
O sistema a que estávamos habituados antes era o analógico, que usa um intervalo contínuo de valores, para representar informação. Temos relógios digitais e relógios analógicos, como temos televisão analógica e televisão digital.
Ora quase todos nós nascemos com 5 dedos em cada mão. Digo quase todos, porque um colega meu no liceu tinha 6 dedos numa mão. Mas isso são excepções: polegar, indicador, médio, anelar e mínimo. Com excepção de “polegar”, que veio do latim “pollicaris”, cuja origem não encontrei, todos os outros têm significados claros para nós.
Detenhamo-nos apenas no “anelar”, o dedo da mão esquerda onde, nas culturas ocidentais, se coloca o anel de casamento. Porquê precisamente nesse dedo e na mão esquerda.
Para aprendermos isso temos que recuar até à civilização egípcia, onde se simbolizava a união entre marido e mulher, através de pulseiras e correntes. Com o andar dos tempos, passaram a usar, para esse efeito, o anel que tinha um significado religioso, relacionado com o sol e a lua. Quando Alexandre da Macedónia conquistou o Egipto, em 332 A.C., o costume espalhou-se pela Europa e pelo Ocidente.
Os cientistas egípcios, que estudaram a anatomia humana, revelaram que no quarto dedo da mão esquerda nasce um nervo que vai ter directamente ao coração Portanto o “nervo do amor”. Também houve quem dissesse que era a “veia do amor”. Por isso, nos ficou a tradição de usar a “aliança de casamento” no dedo anelar da mão esquerda.
Em latim, o dedo anelar (digitus annularis) também foi chamado “digitus medicinalis” (o dedo do médico). Esta última designação foi conservada na língua alemã – “arztfinger”. Os etimologistas estão muito divididos em relação à origem deste nome. Muito provavelmente não teria que ver com médicos, mas sim com curandeiros, que atribuíam a esse dedo qualidades mágicas de cura. Talvez pelo mesmo motivo do nervo ou da veia que vai para o coração.
Quanto ao dedo mínimo, também o povo lhe chama “o dedo da orelha”, por razões óbvias apropriadas às suas pequenas dimensões.
O que nos aprendemos com o meu amigo!
Bem haja.
Shalom
Albino Lopes Cardoso
A título de curiosidade-brincadeira, aí vão outros nomes para os dedos da mão, tal como se dizia na mnha meninice:
-dedo mindinho
-passarinho
-pai de todos
-fura-bolos
-mata-piolhos.
É escusada a tradução, não?
Cara Graca:
Eu aprendi assim:
Mindinho
Parceirinho
Pai de todos
Fura bolos
Mata piolhos.
E so diferente o segundo nome.
Caro senhor Steinhards,
Folgo por ter o prazer de regressar ao “História das Palavras” !
Só agoro tive conhecimento do lançamento de novos e interessantes textos.
Vou (continuar) a seguir o seu didáctico blogue.
Shalom,
João Moreira