Vou confessar-vos uma coisa: este blogue está a dar-me muito mais prazer do que eu pensava, quando o iniciei. O número de visitantes cresce de semana para semana, e muitos deles têm a gentileza de me escrever, fazendo comentários ou perguntas, e até corrigindo coisas em que eu errei, por falta de informação ou por informação errada. Assim, além de aprender sempre mais qualquer coisa, também fico a conhecer muitas pessoas interessantes que, de outro modo, não conheceria.
Obrigado a todos.
Infelizmente o meu tempo é escasso, para escrever com a regularidade que eu gostaria de manter. Em parte, isso sucede por causa do meu trabalho. Mas também é devido ao meu feitio de querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Uma má desculpa.
Fiz hoje, uma vez mais, uma revisão aos meus objetivos e prioridades. Uma das decisões foi começar a deitar fora apontamentos e recortes, que guardei ao longo dos anos, para um dia escrever e cheguei à conclusão de que mesmo que eu viva até aos 120 anos, que é o máximo permitido e pouco provável, só me restam, a contar do próximo dia 5 de Outubro, 44 anos para realizar uma pequena parte do que tinha planeado
E puxei para cima da lista um compromisso de escrever todas as semanas uma ou mais histórias, das que tinha colecionado, mesmo que seja pequenina
Esta semana está na baila, aqui em Israel, o problema de integração dos judeus da Etiópia. Muitos deles têm chegado, por esforço próprio, a profissões e postos elevados. Mas muitos mais têm ainda muita dificuldade em se integrar. E por estes dias sente-se isso mais, quando se aproxima a reabertura das aulas.
Lembro-me que, quando eu era novo, o meu amigo Salomão Shmulevitz, que começou a sua carreira de jornalista no Diário de Notícias, escreveu um livro com o título de «O que é a Abissínia?».
O Salomão Shmulevitz veio muito novo para a Terra de Israel, “hebraisou” o nome para Shelomó Shamgar, e tornou-se um dos mais brilhantes jornalistas deste país. Infelizmente uma doença má levou há cerca de 12 anos.
Foi o Shelomó Shamgar quem fundou a Liga de Amizade Israel-Portugal e foi seu presidente até aos seus últimos dias. E fui eu que tive que ocupar esse honroso cargo, durante 11 anos, por meus pecados, porque nunca lhe cheguei aos calcanhares.
Mas estávamos a conversar sobre a Abissínia, que hoje se chama Etiópia.
Ponhamos os pontos nos ii!
No tempo em que eu estudei chamava-se Abissínia a um país muito mais pequeno, situado, mais ao menos, no norte do que é hoje a Etiópia.
Os seus habitantes eram semitas e semita é a língua amharica, que eles ainda hoje falam. Nas línguas semíticas, no árabe e no hebraico, o país chamava-se Habash, E de Habash nos chegou Abissínia. Era a Terra do Preste João, o lendário padre cristão, que os exploradores portugueses tanto se esforçaram por encontrar na Abissínia.
Mais tarde o reino da Abissínia foi muito alargado, juntando-se-lhe outros povos negros seus vizinhos. E então passou a chamar-se Etiópia. Aithiôps, “terra da gente de cara queimada” era o nome que os gregos davam a diversos terras africanas, desde o Vale do Nilo, até ao Corno de África.
No Novo Testamento, que foi escrito na sua maior parte em grego, a palavra aparece a designar de uma forma geral, diversos povos africanos. A palavra estava ali, à mão de semear, e assim foi dada ao novo país, que incluía a antiga Abissínia.
E já agora, como curiosidade, a explicação de alguns termos, de que todos ouvimos falar.
Como vimos, a língua da Abissínia é semítica.
Como se chama a capital da Etiópia? Adis Abeba. Adis significa nova. Conhecemo-la, por exemplo, no nome de Cartago, na língua fenícia: Kart-Hadasht, a «Nova Cidade”, que os fenícios fundaram no Norte de África.
Abeba – é o mesmo que Aviv, em hebraico, que significa tanto espiga, como primavera, a época do ano em que se ceifam as espigas. Tel Aviv – significa “Colina da Primavera”. A cidade de Telavive (assim se escreve em português correto) não fica numa colina, mas isso é outra história, que ficará talvez para outro dia.
Temos pois que Adis Abeba – é a Nova Primavera.
Lembram-se do imperador deposto – Hailé Selassieh? Pois Selassie (em hebraico chelishiah) significa Trindade. E Hailé é santo. Portanto, o nome do imperador era Santíssima Trindade.
Mengistu Haile Mariam, que foi presidente da República Democrática Popular da Etiópia, também tem Hailé (santo) no seu nome. E Mariam era, como sabemos, o nome aramaico da Virgem Maria (Miriam em hebraico). Portanto o presidente comunista da Etiópia era Mengistu de Santa Maria.
Desejo a todos uma excelente semana.
Caríssimo,
Estou sempre atento às suas publicações que me entusiasmam. Sou de uma terra que acolheu muitos refugiados do conflito que assolou o Mundo, dos que hoje se reunem em Gdansk e de outras “nações”.
Leitor assíduo.
muito contente por ter encontrado este blog. hei-de voltar. obrigada por ele
Parabéns por mais uma história de vidas e de palavras.
Grato pela oportunidade em poder acompanhar tamanho conhecimento.
Muito legal, comecei a ler e não consegui parar, muito obrigado.
Gostei de saber mais sobre a Abissinia!
Que este novo ano que comecou a pouco seja repleto so de coisas boas!
Um abraco dalgodrense.
Etiópia… Abissínia… Preste João…Uma parte da História de Portugal encontra-se ligada a estes nomes, quase diria, a estes sonhos. Por isso, valem a pena «Os Portugueses na Etiópia», de Eaine Sanceau e a «História dos Portugueses na Etiópia» de Pedro Mota Curto. Terá essa presença contribuído para impedir a islamização do país? Pedro Mota Curto talvez o tenha pensado. Mas eu, sobre isso, nada sei dizer.
A origem das palavras é um tema fascinante.
E ler os seus posts é um prazer, pena é que não consiga publicar com mais regularidade.
Li recentemente que a famigerada palavra “marrano”, se calhar, não tem a origem nem o significado que é comum atribuir-lhe. Uma das teses é que é de origem hebraica e significa dissimulação. Pode dizer-nos alguma sobre isso?
Obrigado
Caro Steinhardt,
O seu blog está entre os poucos (dos milhares ao quadrado existentes) de inteligência e seriedade; e, mesmo acima disso, de um carisma surpreendente.
Eu gosto de vir, porque cá me sinto bem.
Um abraço,
Schetini
Adorei vir aqui e conhecer quem gosta das palavras.
bjs.
Gostei muito de visitar sseu blog
Fiquei muito curiosa da historia de Abissina gostaria de saber mais sobre esse pais . Isabella
eu axo isso muito importante porque encina a gente a como retribuir a PASCOA
Bom dia desde o Brasil, Belém do Pará-Amazônia.
Muito “bacana” as informações sobre Abissinia, atualmente Etiópia. T8 hás de te perguntar, talvez, por que alguém buscaria informações sobre essa cidade que, atualmente, creio, pouqíssimas pessoas tenham ouvido falar. Minha curiosidade existe há mutíssimo tempo, quando estava começando meus estudos e tínhamos que saber os nomes das capitais de vários países que talvez nem ouvíssemos falar em outras ocasiões e jamais cogitaríamos de conhecer.Tu escreves muitíssimo bem e de forma bem humorada. Muito obrigada pelas informações e, quem sabe, possa ser uma assídua frequentadora do teu blog.
Um grande abraço
Palavras, sempre atrás de umas palavras…
Será que esse cara morreu? Nunca postou mais nada….
No, no morreu! S est muito ocupado! Obrigado pelo interesse
O Cara
Gostei muito da historia das palavras, voltarei em busca de novidades.
Obrigado, Antonio
Me esclaresceu uma duvida q carregava ha mais ou nos uns 35 anos, alguém pra me humilhar de chamava de nega da piscina, era uma pessoa adulta, na época deveria ter uns 12 anos, não entendia o porque Piscina, a criatura também não devia saber pois a cultura da mesma é menor q o átomo, seria tão mais fácil de chamar negra de Baraúna – Rn q é minha terra natal, Abissínia ou Etiópia. Boa descoberta. Abraços a todos e obrigada.
Olá meu itusre amigo, gostei mto de saber algumas coisas sobre este país..Etiopia….antiga Abissinia, pois tinha eu curiosidade em saber deste lugar que é de onde vieram meus antapassados como escravos, e com certesa ainda quero conhecer este país..de onde vem a minha decendencia.
São Pedro de Alcântara em Santa Catarina, Brasil, município que é conhecido como a primeira colônia alemã do estado catarinense. Enquanto Distrito de São José possuia em seu espaço territorial uma comunidade habitada, até onde me lembro exclusivamente por Afro-descendentes , nossos amigos de infância. Acredito que autodenominada, ou seja, oriunda dela própria por estar ainda na memória de algum remanescente a sua origem do norte da África ,ABISSÍNIA. Nossos vizinhos, que não residem mais na Abissínia, daqui partiram para ajudar na construcão de outras cidades,dentre eles me lembro dos famiares de Sr Otacílio e Sra Leocádia (Arnaldo, Zenáide,Kiko, Maurino, Gorete,…); Sr Enzido..? e Sra Maria ( Jair, Pelé,… ) Sra Losa, Buti, Bumba, Calo, Libertina, Dico. Hoje nos resta a lembrança e a denominação de um Bar que por sugestão de Ervino Stähelin, o Sr Euzébio Hoffmann o denominou de ABISSÍNIA. Um abraço fraterno a todos os nossos irmãos Afro-descendentes através dos nossos antigos moraradores da ABISSÍNIA de São Pedro de Alcântara-SC-BR.
Permita-me algumas correções ao seu breve artigo despretencioso (que descobri hoje por acaso) mas que, aparentemente, foi lido como sendo muito bem informado.
Começando pelo fim, que na verdade era mera curiosidade: a tradução do nome do ex ditador Mengistu Haile Mariam (Mangestu Hayla Maryam) deve ser «O Reino [é] Dele O Poder de Maria»; na verdade, a palavra gueeze que se traduz por Santo é Qeddus / Santa é Qeddest. Assim, o nome do último imperador traduz-se como «O Poder da Trindade». A capital atual da Etiópia é a «Nova Flor», flor traduzida do amárico, possivelmente por alargamento semântico.
Quanto à questão central, importa introduzir alguns pontos importantes: sim, a raiz do nome Abíssinia é ao que tudo indica árabe, mas designava uma região litoral do Mar Vermelho e não o planalto onde se tinha afirmado o império de Aksum. Nas crónicas etíopes, para além do nome genérico «behera ge’ez» lê-se a identidade pedida emprestada à geografia grega «Itiyopya» associada à designação da entidade política «mangest(a)» (reino da Etiópia). Abíssinia foi entrando no léxico europeu, primeiro na forma gentílica «abexim», e generalizou-se sobretudo no período de desígnio colonial europeu.
Isabel Boavida
Muito obrigado pelas suas correces e ensino, que irei rectificar no meu post, assim que tenha tempo.
Com os meus cumprimentos
Incio
Gostaria de encontrar outra forma de o contactar porque há que não perder as pessoas cultas e interessantes que ainda existem. Como?
Posuo um disco e 78 rotações gravado no meio da segunda guerra mundial com o título é TI SALUTO O POVO DA ABISSINIA ,DISCO EST
QUE FOI PROÍBIDO TOCA LO NA ITALIA.
GOSTARIA MUITO DE SABER PORQUE..
AGUARDO RESPOSTA.
infelizmente so hj encontrei este blog. Vou dissertar dia 30 maio 2012 sobre os etiopes negros – falaxas – e sobre os marranos de tras-os-montes: o que os aproxima e os q os afasta. Tive mt dificuldade em obter informações sobre os falaxas actualmente na Etiopia, como vivem, como professam a sua religiao face a Israel, etc. Alguem me pode dar dicas sobre estas questoes?
Maria Gomes
Maria Gomes