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Mesmo não tendo nunca estado na Turquia, todos aprendemos na escola que o Estreito de Bósforo é um estreito que liga o Mar Negro ao Már de Mármara e marca, na Turquia, o limite dos continentes asiático e europeu.
Bosphorus é um nome de origem grega, composto de duas palavras: bos (que significa boi) e phorus, foros, (passagem, transporte). Queriam os gregos significar com isso que o estreito era tão estreito que podia ser atravessado por um boi a nado. Ou, segundo outros, que podia ser atravessado sentado num odre, feito da pele de um boi, cheio de ar. Escolham!
Bos é também o nome latino da espécie zoológica a que pertence o boi, ou bove, e todo o resto do gado a que chamamos bovino.
Também se chama gado vaccum, em honra da meia-metade feminina: a vaca. Já os latinos chamavam ao boi bove e à vaca vacca, e se alguém souber explicar-me porquê, agradeço, pois não encontrei a explicação.
Nos talhos, em Lisboa, chamava-se carne de vaca sem distinção tanto à de vaca como à de boi. Já no Alentejo só vi “talhos de carne de boi”. Era o macho que dominava na designação. Não sei se ainda é assim, nem sei também a razão.
O que se prova, mais uma vez, é que a história dos nomes dos bichos varia consoante o pronto de vista de quem os dá.
Já vimos aqui, há tempos (“Bifes de Peru”) que, na língua inglesa, os mesmos animais tem dois nomes: quando vivo o boi é ox, palavra de origem saxónica, dado por quem os criava; no prato, o boi é beef, de origem francesa, dado pelos normandos, que os comiam…
E da mesma forma porco, carneiro, etc. tinham nomes saxónicos enquanto vivos, e franceses depois de mortos… e cozinhados.
O mesmo sucedia entre nós com o peixe, que só o era enquanto vivo, dentro de água. Cá fora, candidato a mudar-se para o nosso prato, era pescado. Hoje, em português, já não se usa pescado, como substantivo, mas em espanhol ainda se mantém a distinção.
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