Para quem, como eu, “vive de palavras”, o dia-a-dia proporciona-nos sempre novos desafios para histórias a contar neste espaço que escolhi para conversar convosco.
Ontem, no noticiário da telev
isão, aqui em Israel, vi uma interessante reportagem sobre uma família que, não só se dedica ao cultivo de orquídeas, que enchem, com a sua rara beleza, a casa e o jardim deles, como lhes proporciona uma actividade, de que eu nunca tinha ouvido falar: têm uma “Pensão para Orquídeas”.
Pensões para cães, e até para gatos, e outros animais de estimação, são comuns. Pensões para plantas, deve ser raro. Pois bem, parece que há famílias que cultivam em casa orquídeas de estimação. E para que as plantas se conservem protegidas contra doenças e inclemências da natureza, aceitam de bom grado colocá-las, durante as estações do ano em que a planta não floresce, numa “pensão”, onde pessoas com mais conhecimento de jardinagem, as guardam e conservam. E, quando as flores começam a despontar, telefonam-lhes para as virem buscar.
Na reportagem, a dona da pensão chamou a atenção para o facto de que algumas pessoas vêem na flor da orquídea a forma do órgão sexual feminino.
Isto fez-me pensar na história etimológica do nome da flor.
Os ingleses chamam a algumas espécies de orquídeas selvagens “ballock’s grass” (“erva dos testículos”), o que, devemos concordar, dito assim parece de mau gosto. Diziam eles que as raízes da orquídea, um tubérculo, se assemelham a testículos.
Parece, porém, que já os antigos fizeram a mesma comparação. Testículos, em grego dizia-se orkhis. A mesma raiz (a etimológica, não a botânica, claro) se conserva ainda na doença inflamatória que afecta os genitais masculinos, a orquite.
Pois é, os botânicos, que nos séculos XI e XVII entenderam dar um nome à hoje tão apreciada planta, foram, por isso, buscar o nome à forma latina do órgão masculino “orchis”.
Não me perguntem onde foram buscar o d, de orquídea, porque não vos sei responder.