Muita gente já fez a pergunta a quem tem melhores condições para estar bem informado. Ninguém ainda foi capaz de dar uma resposta abalizada para o facto de ser chamar “alfacinha” ao indivíduo natural de Lisboa, como este ignorante bloguista.
O certo será que “alfacinha” é um diminutivo de “alface” (Lactuca sativa) planta hortense, indispensável nas saladas. E só em português se chama assim.Em árabe (e também em hebraico) chama-se Hassa. Precedida do artigo, em árabe, é “Al-Hassa”. E como já vimos em entradas anteriores, o H gutural semítico deu F em português, temos “alface”. Por isso, os especialistas são tentados a pensar, e provavelmente com razão, que foi a invasão dos mouros que trouxe para Portugal a alface.
Haveria muitas alfaces nas hortas das colinas de Lisboa? Teria a alface servido de alimento principal de emergência durante algum dos cercos a que os habitantes da cidade estiveram submetidos? Será por algum desses motivos que ficámos alcunhados de alfacinhas? Comedores de alface? É provável. É notável a reminiscência árabe nos arredores de Lisboa e de Sintra, duas praças-fortes dos mouros, que D. Afonso Henriques conquistou.
Ao que parece, nesses arredores instalou-se uma tribo proveniente do Sahara, que em árabe se chamavam os saharauii. Daí dizem que nos veio o termo “saloio”. A mudança do R para L é comum, sahalauii, mas, mesmo assim, é uma etimologia ainda difícil de compreender, para mim pelo menos. Mas se os entendidos dizem que os saloios vieram do Sahara, talvez também tenham vindo de lá os famosos “queijinhos saloios”, e isso já é uma boa notícia… E por falarmos do espólio árabe na língua portuguesa, tentemos reclamar mais um termo pejorativo. Muito se tem dito e escrito sobre os significados negativos enraizados na língua portuguesa de palavras como “judeu”, “judiaria”, “rabino”, “safardana”, etc.
Das palavras, que poderão ofender os árabes, pouco se diz.
Lembro isto, não só por causa do “saloio”, com seus sentidos positivo e negativo. “Árabe”, como substantivo designativo do indivíduo, diz-se em árabe “al-arab”. Em português dizia-se “esse é um al-arave”, de onde “alarve”.
E da mesma maneira que “judeu”, também “alarve” é injusto e ofensivo, quando usados no sentido pejorativo.
Olá
Ouvi dizer… que o termo alfacinha tem origem na contraposição à couve. Pois a couve é grossa e rija mas a alface é fina e mais pálida.
Assim os alfacinhas seriam gente fina, magra e pálida como as alfaces em contraposição com os “galegos” do norte que tal como as couves homonimas eram considerados gente grossa, entroncada e rija.
Cumprimentos
Manuel
Além de ignorante, és mal criado! Não te esqueças das raizes, da fundação deste magnifico país. Recordo-te que és Português, pela força e coragens dos nortenhos!
Aprende a amar quem mais deu por este «jardim».
Certa vez, li que a expressão “alfacinha” era aplicada aos indivíduos do sexo masculino residentes em Lisboa, de forma pejorativa.
Assim dizia o texto da internet: Sabe por que o lisboeta é chamado de “Alfacinha”? Porque não tem “tomates”! Senão, seriam “saladinhas”.
Isso é verdade?
Só Podem mesmo ser alfacinhas…..não tem tomates…não….basta olhar para a miséria deste país!!!!
Governado por tal gentinha…(Castelos Brancos)….que se pode esperar!|
Alfacinhas.
Sobre a expressão “saloio”. Li sobre o assunto e tenho ouvido versões de que se referia à gente (mouros) que não foram autorizados pelo rei português (Afonso Henriques ?) a habitar e/ou trabalhar na cidade (Lisboa) e, por isso, foram forçados a dedicarem-se a trabalhos braçais, no campo e nas salinas. Daí saloio. Será?
ola….sobre o termo “saloio”, li em certa pesquisa que este termo deriva dum imposto cobrado no tempo dos mouros, este imposto tinha o nome de çalaio.
O termo saloio,segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa,de autoria do arabista José Pedro Machado,vol.V.,pág.146 ,deriva do árabe çahrauii,e árabe vulgar çahrõi«homem,habitante do deserto».
O termo saloio provem mesmo da palavra “saharauii” e que com o passar do tempo transformou-se em saloio. Os saloios que pelo contrario do que a maioria dos portugueses pensão, não são pessoas atrasadas, rusticas ou grosseiras e muito menos a expressão “esperteza saloia” significa isso, sendo o seu real significado de esperteza velhaca ou esperteza ardilosa.
Sendo assim os saloios são o povo que habita nos arredores de Lisboa ( em especial nos concelhos de Sintra, Loures e Mafra em que são mais caracterizados) desde o periodo neolitico como podem provar varias descobertas arqueológicas, são pessoas que se dedicam principalmente do trabalho agricula ( mas tambem são famosos os seus produtos alimentares como o pão, o queijo, os doces e o leitão assado saloio).
O povo saloio tambem tem uma grande riqueza no seu folclore com caracteristicas bem marcadas e diferentes de outras zonas do pais, têm um papel importantissimo na cidade de Lisboa pois eram eles que abasteciam os mercados com os seus produtos e ainda hoje o fazem, eram eles que com as lavadeiras e carroceiros lavavam a roupa das senhoras ricas da cidade e a entregavam em troxas e por isso são sempre retratadas com a troxa á cabeça e que até foram feitos filmes em memoria delas como no famoso filme “Aldeia da Roupa Branca” onde entra a famosa Beatriz Costa uma saloia de gema.
Por isto tudo, os Lisboetas só souberam ser ingratos e rebaixar o orgulho dos nobres saloios fazendo pouco deles e tratando-os como inferiores.
Eu como um jovem saloio e muito orgulhoso de o ser escrevo isto para relembrar que os saloios sao muito melhores que os outros portugueses pensam que nós somos.
As pessoas que escrevem na Internete deveriam evitar gritantes erros ortográficos (e não só)que frequentemente cometem.Por exemplo, no comentário acima de Ivo Dias, encontra-se as seguintes incorrecções:
na 3ª linha deveria dizer “… ao contrário ..” em vez de “..pelo contrário…”; na 4ª linha está um erro grave: “pensão” quando deveria dizer “pensam”; escreveu igualmente na 10ª linha “agricula” em vez de “agricola”: na 17ª linha há dois erros graves: escreveu duas vezes “troxa”em vez de “trouxa” e na mesma linha o pôs acento agudo em “á” quando neste caso deveria ser acento grave “à”; além disso há inúmeras faltas de acentos e virgulas mal colocadas.
Quanto ao conteúdo do comentário é de felicitar o comentarista Ivo pela defesa que faz do SALOIO, termo que infelizmente foi convertido para um sentido pejurativo.
Corrigir erros ortográficos alheios é algo extremamente indelicado. Além disso, a sintaxe do comentário do Ivo está muito boa, incoerente com alguns deslizes pueris, o que me leva a suspeitar que ele seja disléxico. Sem exercícios de poder e patrulhamentos, por favor!
e melhor que continuemos todos burros e a dar cabo da nossa
lingua ?
acho que ninguem tem de se sentir ofendido por ser corrigido , ignorante nao e o que nao sabe mas sim o que nao quer saber e nao e por se escrever com palavras de 5 tostoes que se e muito letrado
Ser saloio é ser sobrevivente, é ter capacidade para se adaptar continuamente, adoptar a novidade e seguir adiante. Será o saloio mouro? foi-o certamente! O que é o saloio de hoje? Nada mais que um simples cidadão do mundo, um indivíduo fraternal, de acoração aberto e cheio de ambição. Orgulho-me de ter nascido saloio e que Deus me leve nesse gozo.
não sei que significa alfacinhas
porque nao percebo :-p
Encontrei a palavra saloia no romance Memórias De Um Sargento De Milícias para designar uma mulher de Lisboa. Fiquei sem entender, procurei até mesmo em dicionários e não encontrei.
Prezado Inácio, antes de mais nada, pela foto vc parece muito lindo!
Sou profissional de Letras e não acho que o termo “judeu” tenha significado pejorativo; judiar sim, pois tem o sentido de maltratar.
Quanto a rabino e safardana, desconheço significado negativo também. Talvez seja um caso particular de Portugal; será? não tenho esta vivência. Meu avô era português, mas morreu quando eu era bem criança, não tive como tirar dúvidas com ele.
Aqui no Brasil, os termos judeu e rabino se usam no sentido denotativo mesmo; safardana não é por aqui utilizado.
Gostei do site; tudo que se refere a palavras é encantador!
Ver a origem da palavra “saloio” no VANCIONEIRO SALOIO de Altino M. Cardoso.
Deriva de “salaud” e foi alcunha que os lisboetas aplicaram aos vendedores de hortaliça, leite, galinhas, etc.
Salaud significa ‘sujo’, ‘porco’ – o que não admira, já que, além so suor de muitos quilómetros percorridos a pé, de Sintra a Lisboa, as vacas, as galinhas e os restos e hortaliça (e mais) deixavam as ruas e escadas de Lisboa cheias de porcarias e maus cheiros vários. (Ver, por ex., os poemas de Cesário Verde…)
Lembremo-nos do que aconteceria aos nossos mercados sem empegados da Câmara que os limpassem… Lembremo-nos, ainda, de que não havia frigoríficos e o leite era fornecido na hora, na presença do ‘freguês’ e tirado ‘on-line’ das tetas das vacas que os acompanhavam…
O saloio não podia cheirar bem, bem os produtos que vendia na capital.
Mas era forte e alimentava-se bem. Ao contrátio dos alfacinhas que lhe puseram a alcunha de ‘saloios’: esses não tinham dibheiro nem energia para oercorrer quilómetros e só comiam… alface e mais umas ‘merdinhas’.
Esta rivalidade é de todos os tempos. E o saloio fazia-se sempre acompanhar do respectivo varapau… para o que desse e viesse.
Ver a origem da palavra “saloio” no CANCIONEIRO SALOIO de Altino Moreira Cardoso.
Deriva de “salaud” e foi alcunha que os lisboetas aplicaram no séc. XVIII aos vendedores de hortaliça, leite, galinhas, etc. idos dos campos de Sintra e outras zonas periféricas da Lisboa cosmopolita, em que o francês era a língua chique.
O francês ‘salaud’ significa ‘sujo’, ‘porco’ – o que não admira, já que, além so suor de muitos quilómetros percorridos a pé, de Sintra a Lisboa (ou de Cascais, ou de Vila Franca…), as vacas, as galinhas, os ovos e os restos de hortaliça (e mais) deixavam as ruas e escadas de Lisboa cheias de porcarias e maus cheiros vários. (Ver, por ex., os poemas de Cesário Verde…)
Lembremo-nos do que aconteceria aos nossos mercados ao ar livre sem empregados das Câmaras que os limpassem…
Lembremo-nos, ainda, de que não havia frigoríficos e o leite era fornecido na hora, na presença do ‘freguês’ e tirado ‘on-line’ das tetas das vacas que os acompanhavam…
As galinhas compradas eram ali mortas e as penas e tripas espalhadas pelos cantos.
O saloio não podia cheirar bem, nem os produtos que vendia na capital.
Mas era forte e alimentava-se bem. Ao contrário dos alfacinhas que lhe puseram a alcunha de ‘saloios’: esses não tinham dibheiro nem energia para percorrer quilómetros e só comiam… alface e mais umas ‘merdinhas’.
Esta rivalidade entre a cidade e o campo é de todos os tempos.
E o saloio fazia-se sempre acompanhar do respectivo varapau… para o que desse e viesse.
Estudei sempre em Lisboa, em Alvalade e, segundo a minha professora de Biologia, alfacinhas serão os nativos/habitantes de Lisboa onde se cultivavam pequenas hortas nas janelas e pequenos logradouros onde a alface era rainha!!!! Foi daqui que derivou o termo.
Senhor A. Sousa e Dias,
Foram tantas as críticas feitas ao comentário do senhor Ivo Dias…
.Atrevo-me a perguntar-lhe: Qual a grafia correta, PEJURATIVO (como foi escrito em seu comentário) ou PERJORATIVO?
Meus amigos visitantes.
Relendo os vossos comentários acima, enriqueci um pouco mais os meus parcos conhecimentos.
Num livro, que acabo de publicar, «Raizes dos Judeus em Portugal», editora Nova Vega, escrevi sobre a família Ibn Yahya e o facto de terem recebido o apelido adicional Negro. O iniciador da família em Portugal, Yahya ben Yaish, recebeu de D. Afonso Henriques, por serviços prestados, três aldeias, nos arredores de Lisboa. Segundo as fontes eram Unhos, Frielas e “Aldeia dos Negros”. Tem havido muitas especulações sobre a identificação e a localização de “Aldeia dos Negros”.
Os Ibn Yahya não eram negros.
Ora como David Ibn Yahya Negro foi proprietário de uma quinta em Camarate, onde era conhecida por Quinta dos Negros, a qual foi expropriada por D. João I e dada ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira, que lá construiu um convento, parece-me evidente que “Aldeia dos Negros” era Camarate, que se situa exactamente na sequência de Sacavém (onde se deu uma batalha entre as tropas de D. Afonso Henriques e os berberes), depois Frielas, Unhos e Camarate.
Os habitantes de Camarate, antes da reconquista por D. Afonso Henriques, eram berberes do Sahara (portanto mais escuros, quase negros) da tribo Bnu Kamarat. Daí o nome da aldeia.
Isto vem ligar com a etimologia aqui apontada para saloio, de “Saharani” (habitante do Sahara). Portanto haveria muitos bérberes “saharani” na região de Lisboa…